Continho #3

Tem algumas histórias que a gente só consegue lembrar depois de um tempo. Algumas delas você ouviu de alguém, outras foram a sua mente fértil que inventou (mas você JURA de pés juntos que aconteceram) e tem aquelas que realmente fizeram parte de algum momento do seu passado. A de hoje é sobre aquele dia em que você entrou na loja de esportes para evitar contato direto com o seu ex-namorado e com a nova namorada dele.

Sexta-feira, dia de festinha, paquerinhas e muita diversão? Não. Sexta-feira, dia de cineminha sozinha porque ninguém quis assistir ao novo filme do Tom Cruise com você.

Antes do filme você decide dar uma voltinha pelo shopping, mas evitando ao máximo para não gastar o dinheiro do banco (cheque especial, meu eterno amor <3). Ali está você, se lambuzando com um milkshake do Bob’s e olhando com inveja para a loira que vem cheia de sacolas na direção contrária; é quando você o vê. Mais bonito do que no tempo em que vocês namoravam e com uma cretina a tiracolo (cretina porque ela estava cheia de sacolas e o seu recalque é muito grande).

Você entra na loja mais próxima e só consegue parar para pensar quando o carinha vestido de Nike da cabeça aos pés te pergunta se ele pode te ajudar. Você olha em volta e obriga seu cérebro a dar uma resposta rápida: “tênis de corrida”. Oi? A única corrida que você faz é quando precisa fazer xixi o MAIS RÁPIDO possível.

Enquanto ele te explica às maravilhas do novo modelo que chegou que, aparentemente, é melhor que todos os outros do mercado e praticamente corre sozinho, seu ex entra na loja e você começa uma coreografia estranha e completamente louca para não entrar no campo de visão dele. Você tem sorte e agradece os 7 meses que fez Balé (quanto tinha 5 anos), pois aquelas aulas te deram a chance de se mover graciosamente e sem ser notada. Sem ser notada por quem importa, é verdade, já que o vendedor e metade da loja olham para você se perguntando se devem ou não chamar ajuda. O talzinho se aproxima mais e você quase grita “Tá bom, ótimo, vou levar” e sai correndo para o caixa.

Está quase tudo acabado. Você está no caixa e nem mesmo presta atenção que está comprando algo que NÃO PRECISA e que NUNCA VAI USAR. Mas seu coração está tranquilo, você não aguentaria encontrá-lo. E não é porque ainda gosta dele, é questão de orgulho mesmo. Você não quer que ele te veja sozinha em uma sexta-feira. Bobeira sua. MUITA bobeira!

“Oi!” ele diz assim que te vê no caixa. Você vira o rosto rapidamente e dá um sorriso “Marcos, Oi!”. Você pega a sacola e diz, querendo se fazer de ocupada e importante, “só vim comprar esses tênis para a corrida de amanhã. Um beijo querido, prazer viu?”.

Você sai triunfante. DEU TUDO CERTO! E você até cogita começar a correr e ser mais saudável. Claro que só começando a partir da próxima segunda-feira, já que você compra KitKat, pipoca e refrigerante para aproveitar ao máximo o filme. Na sala do cinema, a poucas poltronas da sua, Marcos e a viciada compras estão olhando para você. Você se senta perto deles, oferece um pouco de tudo o que já comprou e diz “Menino, eu tive que ver esse filme. É o Tom Cruise!”. O filme é uma merda, mas valeu pelo Tom. Final inesperado: você e a viciada em compras ficam melhores amigas e marcam um almoço para a próxima semana.

Beijos,

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Continho #2

Tem algumas histórias que a gente só consegue lembrar depois de um tempo. Algumas delas você ouviu de alguém, outras foram a sua mente fértil que inventou (mas você JURA de pés juntos que aconteceram) e tem aquelas que realmente fizeram parte de algum momento do seu passado. A de hoje é sobre a vendedora que cismou que você usava um tamanho maior.

É verão! Bom sinal! Já é tempo, de abrir o coração… E a carteira! (Se você não escuta Roupa Nova, não sabe o que está perdendo). Você precisa de uma saída de praia urgentemente. A questão é que você odeia comprar roupas de banho porque:

1) Você não usa com frequência;

2) As marcas surtaram completamente e acham que é legal cobrar R$ 300,00 em meio metro de “ticido”;

3) Você É MUITO chata e acha que nenhuma fica bem você.

Dessa vez você se anima um pouco, afinal, conseguiu perder 3 quilinhos e está se achando “a gostosa” para esse verão. Você entra na loja e já chega pedindo “Uma saída de banho P, por favor!”. A vendedora olha para você e você percebe o olhar de julgamento dela te dizendo “P? Cai na real, sua gorda!”. Relutante, ela te mostra o tamanho que você pediu e você se apaixona por um modelo coral, que vai combinar totalmente com tudo o que você já tem em casa. Perfeito!

Você prova e fica um pouquinho (bem pouquinho mesmo, MUITO POUCO) justo, você ri sem graça e diz que o modelo não te favoreceu. Ela manda um “querida, as saídas de praia precisam ser um pouco larguinhas, para ficar mais confortável”. Você se olha no provador e decide que ela tem razão, pedindo um “tamanho M, por favor”.

Ela volta com dois modelos, um M e um G. Sua cabeça surta e o seu primeiro impulso é discutir com ela. Contrariando a Lindsay Lohan em si mesma, você pega o M cautelosamente, desejando que ele fique bem no seu corpo. Ele não fica. Ainda um pouco apertado.

“Eu trouxe um G, querida”. Você olha para ela, mostrando os caninos e tentando sorrir. Você diz “Acho que o M ficou bom, não precisa do G”. Ela diz “tem certeza? Ainda me parece apertado.” Você pede licença, veste a sua roupa e se dirige ao caixa, se convencendo de que o M ficou PERFEITO! E que você “tá mesmo perdendo peso MUITO rápido, então vai ficar tudo bem”.

A vendedora/psicopata do peso/julgadora das gordurinhas invisíveis leva você até a porta da loja, te agradece e falsamente te deseja “um boa praia, você vai fazer sucesso”. Quase todos saíram felizes para sempre; ela conseguiu a venda e você se enganou por algumas horas. O final triste foi mesmo para a tal saída de praia coral, que continua guardada na sua gaveta de roupas de banho e NUNCA foi usada. Algo/Alguém sempre se dá mal, não é?

Beijos,

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Continho #1

Tem algumas histórias que a gente só consegue lembrar depois de um tempo. Algumas delas você ouviu de alguém, outras foram a sua mente fértil que inventou (mas você JURA de pés juntos que aconteceram) e tem aquelas que realmente fizeram parte de algum momento do seu passado. A de hoje é sobre o dia em que você acreditou na cartomante que te obrigaram a ir.

Ok. Você tem 22 anos, tá sem namorado, sem estágio e TODAS as suas amigas estão comprometidas e amando como se não houvesse amanhã. Sua mãe, completamente viciada no esotérico e nas fases da Lua, grita lá do quarto dela: vem cá, minha amiga me mandou um contato ótimo pra gente!

E você vai; achando que é a melhor pedicure do planeta ou uma massagem capaz de mudar o seu dia. Quando você fica sabendo que é de uma cartomante MUITO BOA, você começa a rir e diz que não acredita nessas coisas. Aí sua mãe esquece que deveria te fazer sentir melhor e manda, na lata, um “deveria acreditar, filha. Sozinha desse jeito… Não quer saber se um dia vai sair dessa?”. Você ri sem graça e cogita conhecer a tal mulher que vai te dizer o seu futuro em 30 minutos de conversa e pela bagatela de 200 reais.

Vanuza, a tal que sabe até o nome do seu futuro cachorro na sua futura cobertura, te diz que você é uma moça jovem e ambiciosa, que você precisa se soltar mais para conseguir o que quer e que, o mais importante de tudo, o seu príncipe ainda não apareceu, mas está muito próximo. Vanuza ainda acrescenta que você vai se mostrar disponível, saindo de casa e conhecendo gente nova. Depois dos 30 minutos, você agradece e diz para a sua mãe que poderia ter comprado dois pares de rasteirinhas com os 200 reais.

Dias depois, uma das suas melhores amigas acaba o namoro e quer “passar o rodo”. Vocês começam a sair e, em uma dessas noites, o primo do amigo da namorada de um cara que estudou com você no segundo ano se mostra O pretendente. Peraí! Você se soltou, realmente começou a sair e (PARA TUDO!) um carinha realmente apareceu na sua vida! TUDO SE ENCAIXA! TUDO VAI DAR CERTO! SEU DESTINO É SER AMADA E SER FELIZ! UHUL! Você liga pra Vanuza, que nem se lembra de você, e já marca a próxima sessão. Você precisa saber mais, muito mais!

Tudo que é bom dura pouco. Você murcha com o cara porque ele só quer saber de sair; porque ele não quer dividir um vinho e ver One Tree Hill no Netflix com você; porque ele te chamou de Amanda enquanto te beijava (talvez essa tenha sido a razão principal). Bem, você desmarca a consulta com a Vanuza e compra duas rasteirinhas LINDAS! Ao contrário dele, elas estão com você até hoje…

Beijos,

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